Estacas, radier, tubulões ou sapatas? Saiba como a geotecnia define a solução mais segura e
econômica
A fundação é a parte mais importante de qualquer construção. Ela transfere todo o peso da edificação para o solo de forma segura e estável. Escolher o tipo errado pode comprometer toda a estrutura — e gerar custos altíssimos de correção.
Mas como saber qual fundação usar? A resposta está nos dados da sondagem SPT e na análise geotécnica do terreno.
Fundações Rasas (Diretas)
São fundações apoiadas em camadas superficiais do solo, geralmente até 3 metros de profundidade. Só podem ser usadas quando o solo superficial tem resistência adequada.
1. Sapatas
Blocos de concreto armado que distribuem a carga dos pilares diretamente no solo.
Quando usar:
- Solo firme próximo à superfície
- Cargas baixas a médias
- Terreno plano ou com pouca declividade
Vantagens: Custo baixo, execução rápida e simples de construir.
Desvantagens: Não funciona em solos moles ou com lençol freático alto.
2. Radier
Uma grande laje de concreto armado que distribui a carga de toda a edificação uniformemente sobre o solo.
Quando usar:
- Solo com resistência moderada
- Cargas distribuídas uniformemente
- Terrenos pequenos onde sapatas ocupariam muito espaço
- Substituição de várias sapatas isoladas
Vantagens: Boa distribuição de cargas, pode servir como piso térreo e economiza em escavações.
Desvantagens: Custo maior que sapatas e exige solo com resistência razoável.
Fundações Profundas
São fundações que alcançam camadas mais resistentes do solo, geralmente a mais de 3 metros de profundidade. São usadas quando o solo superficial é fraco ou instável.
3. Estacas
Elementos verticais cravados ou moldados no solo que transferem a carga para camadas profundas.
Tipos principais:
- Estacas de concreto pré-moldadas: cravadas no solo com bate-estacas.
- Estacas escavadas (hélice contínua): perfuradas e concretadas no local.
- Estacas metálicas: perfis de aço cravados no solo.
Quando usar:
- Solo superficial mole ou com baixa resistência
- Cargas muito elevadas
- Presença de lençol freático
- Construções de múltiplos pavimentos
Vantagens: Suportam grandes cargas e alcançam camadas profundas resistentes.
Desvantagens: Custo mais alto, exigem equipamentos especializados e podem gerar vibração (no caso de cravação).
4. Tubulões
Fundações profundas escavadas manualmente ou mecanicamente, com diâmetro maior que as estacas — geralmente entre 70 cm e 1,5 metro.
Quando usar:
- Cargas muito elevadas e concentradas
- Necessidade de inspeção visual da base (tubulão a céu aberto)
- Solos onde estacas não são viáveis
- Obras que exigem fundação de grande capacidade
Vantagens: Alta capacidade de carga e possibilidade de inspeção visual da base.
Desvantagens: Custo elevado, risco de segurança para trabalhadores (em tubulões a céu aberto) e não recomendado em solos muito moles ou com água.
Como a geotecnia define a melhor solução?
O engenheiro geotécnico analisa os seguintes fatores para determinar o tipo ideal de fundação:
- Dados da sondagem SPT: resistência de cada camada do solo e profundidade do lençol freático.
- Cargas da edificação: peso total da construção e como ele está distribuído.
- Tipo de solo: areia, argila, silte, rocha ou combinações.
- Condições locais: presença de água, vizinhança próxima, acesso de equipamentos.
- Custo-benefício: comparação técnica e financeira entre as opções viáveis.
Nunca escolha a fundação apenas pelo custo inicial. A fundação errada pode custar até 10 vezes mais para corrigir depois.
Resumo prático
| Tipo de Fundação | Solo Ideal | Custo | Profundidade |
|---|---|---|---|
| Sapatas | Solo firme superficial | Baixo | Até 3 m |
| Radier | Solo com resistência moderada | Médio | Até 1,5 m |
| Estacas | Solo mole ou cargas altas | Alto | 6 m a 30 m+ |
| Tubulões | Cargas muito altas | Muito alto | 3 m a 20 m+ |
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